março 12 2019 0comment

Betoneira conectada é prova de que a internet das coisas veio para ficar

Investimentos com internet das coisas vão passar do 1,2 trilhão de dólares até 2022, segundo IDC

São Paulo — Se alguém um dia duvidou que a internet dominaria o mundo, os últimos dois anos, pelo menos, mostraram que quase não há mais motivos para acreditar no contrário. De cafeteiras e torradeiras a lâmpadas, fechaduras e carros, produtos dos mais diversos já podem ser conectados à web para diferentes funções. Mas se ainda restavam algumas incertezas quanto à ascensão desse conceito de internet das coisas, um conceito mais novo veio para ajudar a enterrá-las: o caminhão betoneira conectado.

A ideia foi desenvolvida pela brasileira TIVIT, uma fornecedora de soluções digitais, e é usada pela Engemix, braço especializado em concreto da Votorantim. A solução não é simplesmente um caminhão conectado à internet, mas sim uma betoneira incrementada com sensores, usados para monitorar atividades e enviar dados para análise das empresas.

O projeto surgiu da necessidade que a Engemix tem de manter um fluxo contínuo de concreto chegando nas construções de seus clientes. Em uma obra grande, como a de um prédio, são necessários algumas dezenas de caminhões, que não podem parar de chegar, ou a estrutura corre o risco de ser comprometida. Os veículos ainda têm menos de 3 horas para ir até o terreno, descarregar o material e voltar para recarregar.

É um desafio logístico, que criava um verdadeiro caos operacional. A fornecedora precisava dar estimativas de horários de chegada das betoneiras, para que os clientes ficassem preparados para recebê-los e fazer a concretagem (o processo de aplicação e finalização do material na construção). Mas atrasos (ou até adiantamentos) podiam acontecer, o que afetava toda a cadeia de processos, gerava reclamações e resultava em dinheiro e tempo perdidos.

A forma de minimizar o risco de problemas foi equipar os veículos com um conjunto de quatro sensores. Os equipamentos monitoravam a posição dos caminhões nos mapas e até mesmo o lado para o qual as betoneiras deles giravam. Se elas começavam a se mover para a direita, era sinal de que o concreto estava sendo descarregado.

Três caminhões foram usados nessa fase inicial de implementação da solução. Os dados enviados por eles pelas redes 2G ou 3G deram à Engemix uma noção melhor de como as operações fluíam. As informações também ajudaram a empresa a dar estimativas mais precisas de horário de chegada das betoneiras, otimizando todos os processos. A redução de perdas, com isso, foi de mais de 30% nos primeiros meses, segundo a TIVIT.

O resultado fez com que a aplicação dos sensores fosse ampliada, chegando a quae 100% da frota, e os dados fossem ainda melhor aproveitados. Os clientes, por exemplos, passaram a também ter acesso às informações de localização, diminuindo o número de chamadas recebidas pelo call-center. “E na terceira fase, a Engemix vai analisar como os hábitos de direção dos caminhoneiros afetam os gastos de manutenção e com combustível nos veículos”, explicou a EXAME Norberto Tomasini, diretor de negócios digitais da TIVIT.

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