junho 09 2016 0comment

WP Engenharia – Obra gerenciada pela WP é capa da revista Finestra

CONSTRUÍDO COM PRECISÃO MILIMÉTRICA

O EDIFÍCIO QUE ABRIGA A NOVA SEDE DA FAE BUSINESS SCHOOL, EM CURITIBA, TEM FACHADA HETEROGÊNEA QUE COMBINA VIDRO, PAINÉIS DE ALUMÍNIO COMPOSTO, REVESTIMENTO METÁLICO, CORTINAS VERDES E VIGAS EM BALANÇO. O DESAFIO FOI REUNIR COM EXATIDÃO DE CÁLCULOS TODOS OS ELEMENTOS ARQUITETÔNICOS E MATERIAIS DE REVESTIMENTO

Instalado na esquina da rua Alferes Poli com a avenida Visconde de Guarapuava, na área central de Curitiba, o prédio foi projetado pelo escritório Sakaguti Arquitetos Associados, em atendimento à solicitação da Associação Franciscana de Ensino Senhor Bom Jesus, para instalar no local suas atividades de ensino. A proposta arquitetônica criou um edifício de dez pavimentos, tendo dois elementos de destaque – a entrada principal, localizada na esquina, com pé direito externo triplo, e as fachadas definidas por elementos horizontais em balanço.

Com estrutura predominantemente de concreto semiprotendido, o edifício possui cinco subsolos e dez pavimentos moduláveis. Acima do terceiro piso as lajes tem 1.121 metros quadrados. Os três primeiros pavimentos são ligeiramente menores em função dos vazios. A distribuição dos pilares, colocados tangencialmente aos corredores, concede mobilidade plena nas subdivisões, pois os sanitários estão ligados ao conjunto da circulação vertical.

“Uma exigência da arquitetura era reforçar a transparência do vidro, com o uso de chapas de grandes dimensões, que permitissem reduzir a quantidade de perfis de alumínio. A solução foi fazer a modulação de acordo com os pilares”, explica Maria Leticia de Macedo Zaniolo, diretora da Hedron Engenharia, responsável pela fabricação e execução do projeto de fachadas.

A vedação do lobby utilizou painéis de vidro laminados de 10 milímetros com dimensões máximas de até 2.674 milímetros de largura e 1.531 milímetros de altura. Os vidros foram encaixilhados em perfis de alumínio da linha Atlanta, da Belmetal, com acabamento em pintura eletrostática na cor preta RAL 9005. Os arremates receberam painéis de alumínio composto na cor preta de alto brilho.

Apesar de estar fixada nas vigas de concreto e apoiada em três pilares metálicos, revestidos com painéis de alumínio composto na cor preta, a caixilharia descarrega parte de seu próprio peso no piso do térreo. A estrutura da fachada é de alumínio e a fixação utiliza ancoragens metálicas, galvanizadas a quente, fixadas na estrutura do edifício. Uma viga metálica, de 100 milímetros de largura e 150 milímetros de altura entre os pilares, sustenta as portas automáticas e seus motores.

VOLUMETRIA

Com alturas que passam de 48 metros, as fachadas estão posicionadas em leste à esquerda, oeste à direita, norte frontal e sul posterior. “Todos os aspectos da insolação, as questões acústicas, estéticas e de custos foram analisados para a concepção das quatro fachadas com diferentes combinações. As faces leste, oeste e norte são mais detalhadas, pois a sul está próxima do prédio vizinho e tem pouca visibilidade”, diz o arquiteto Adolfo Sakaguti.

“A envoltória aparenta ser simples, sendo composta de planos retos, mas os elementos arquitetônicos a transformaram em algo diferenciado”, observa o gerente técnico da Hedron, Rafael Torres Correa. Ele explica que existem três shafts, anexados à fachada, que rompem a volumetria quadrada da envoltória. Um deles acomoda os dutos de ventilação e os outros dois têm função estética.

“Por ser marcante e a mais extensa, voltada para a rua Alferes Poli, a fachada leste tem três pavimentos protegidos por uma cortina verde de 370 metros quadrados, que auxilia no sombreamento, filtrando a insolação no período da manhã”, explica Sakaguti. O restante desta face tem vidros intercalados com balcões de painéis de alumínio composto, que promovem sombreamento e, ao mesmo tempo, criam uma identidade para o edifício. O arquiteto afirma que diferentemente das paredes verdes, a cortina verde permite a visualização de dentro para fora, devido ao efeito vazado das vegetações.

Na fachada norte os elementos horizontais invadem a face mais verticalizada, em função do revestimento dos elevadores e escada. A marcação vertical, revestida com painéis de alumínio composto na cor cobre, é a exaustão da praça de alimentação. Nesta face, 75 metros quadrados de cortina verde cobrem os três primeiros andares. A vedação da face oeste é totalmente de vidro e o seu sombreamento ocorrerá com a construção do segundo bloco da instituição no terreno ao lado.

Segundo Maria Letícia, “o primeiro desafio foi fazer com que todos os elementos e materiais definidos para as fachadas se encontrassem com precisão milimétrica nos diversos pontos de intersecção existentes no projeto arquitetônico. Para garantir esse encontro entre as três fachadas e seus elementos decorativos, a equipe técnica da Hedron fez um levantamento milimétrico de toda a fachada, buscando obter suas reais dimensões e possíveis diferenças de planos entre os pavimentos. Com o objetivo de evitar erros topográficos, todas as medidas foram referenciadas a um único ponto, fixado no meio do edifício. A partir dos dados obtidos, desenvolveu-se um modelo 3D da fachada, de modo a antecipar todos os possíveis riscos que poderiam ocorrer durante a fase de construção”.

O gerente técnico da Hedron explica que “as diferentes alturas e angulações dos painéis de alumínio composto, na horizontal, não permitiram a utilização do sistema unitizado em toda envoltória”. Assim, nas fachadas leste e norte foi utilizado o sistema stick da linha Atlanta Belmetal, que permitiu montar a caixilharia no local com maior facilidade, respeitando as angulações que a arquitetura exigia dos caixilhos. Na fachada oeste, revestida apenas com vidros laminados low-e refletivos, na cor verde (10 milímetros de espessura) utilizou-se o sistema unitizado Offset da Belmetal e silicone estrutural preto na colagem dos vidros. Apesar da pequena diferença no espaçamento entre colunas, a maioria dos vidros segue o padrão de 1.440 milímetros de largura e 1.000 milímetros de altura, enquanto o maior vidro tem a medida de 1.526 milímetros de largura e 1.815 milímetros de altura.

Nas faces leste e norte, devido aos detalhes do projeto, os vidros laminados refletivos low-e na cor prata (10 milímetros de espessura) tinham grande variação de tamanho – o menor com 1.412 milímetros de largura por 275 milímetros altura e o maior com 1.517 milímetros de largura por 1.817 milímetros de altura. Nestas faces, os vidros foram colados com fita VHB 4972 da 3M, que reduziu o tempo de cura, permitindo que a instalação dos quadros fosse feita no mesmo dia. Rafael Correa explica que as fachadas são compostas por quadros fixos e móveis. Pelo menos metade dos vidros, que não está na frente das vigas, é janela maxim-ar com um limitador de abertura. O fato de a fachada conter folhas móveis não compromete a vedação ou o isolamento, pois todo o perímetro do quadro tem dois conjuntos de gaxetas de EPDM.

A caixilharia é fixada na estrutura do edifício através de ancoragens metálicas telescópicas (galvanizadas a quente) desenvolvidas especialmente para esta obra. O cálculo estrutural das ancoragens, feito pelo escritório Andrade Rezende Engenharia de Projetos, indicou a utilização de ancoragem telescópica porque ela permite a perfeita planicidade da fachada, apesar da diferença considerável entre os planos dos pavimentos.

“Para garantir a estanqueidade da fachada, o sistema stick, dependendo do perfil, possui dupla barreira contra infiltrações, composta por gaxetas. No sistema unitizado as vedações das juntas têm até três conjuntos de gaxetas, dependendo do tipo de perfil. Além das gaxetas de EPDM, a vedação entre os quadros recebeu silicone na cor preta e vedação externa, em toda a fachada oeste. No perímetro das fachadas foram instalados rufos perimetrais, vedados duplamente com silicone e selante elástico monocomponente. Essa vedação também ocorre na interface de materiais diferentes”, explica Maria Letícia.

ENCONTRO ENTRE BALANÇOS

O que mais se destaca nas fachadas são as estruturas horizontais, revestidas por painéis de alumínio composto, na cor branca, que se iniciam na fachada leste e terminam na fachada frontal, envolvendo parte do corpo do edifício. É na fachada frontal que ocorre o maior desafio construtivo, devido à heterogeneidade de materiais utilizados e planos diferentes. Os painéis de alumínio composto estão presentes nas faixas brancas e no shaft externo dos dutos de ventilação, na cor cobre. O revestimento metálico Quadroline, na cor preta, ganha destaque na maior parte da área, sendo interrompido por uma linha de vidro laminado refletivo prata (de 10 milímetros), que protege o poço do elevador panorâmico.

“As fachadas leste e norte, voltadas para a rua, são ligadas pelas faixas de painéis de alumínio composto afastadas 60 centímetros do plano das fachadas. São 13 faixas que, no total somam 800 metros de comprimento. Elas contam com uma angulação levemente diferente entre elas, fazendo com que, dentro de uma mesma linha, nenhum vidro tenha as mesmas dimensões. Para resolver a questão do encontro em balanços das 13 linhas da fachada leste com as correspondentes da fachada frontal, o engenheiro projetista estrutural Norimasa Ishikawa desenvolveu um conjunto de nove vigas treliçadas de aço para vencer os balanços de 4,5 metros e 6,75 metros entre as fachadas leste e norte. Posteriormente, essas vigas receberam estrutura auxiliar de alumínio para regularizar os planos e receber o revestimento branco”, detalha Maria Letícia.

“Na fachada leste, o shaft coberto com o revestimento metálico preto demandou uma atenção especial. Como acompanhava verticalmente toda a extensão da fachada, a 1,20 metro de distância, ele atuava como a vela de um barco, recebendo toda a força do vento que seria afunilada pelos corredores do prédio. Para resolver esta questão, foi necessário desenvolver uma estrutura metálica capaz de suportar as forças atuantes, mantendo a leveza desejada pela arquitetura. Tendo em vista que não é possível fazer vedação nas placas de revestimento metálico foi necessário impermeabilizar toda a estrutura de concreto nessa fachada e no encontro com todos os demais revestimentos que a compõem”, conclui Maria Letícia.

Ficha TécnicaFAE BUSINESS SCHOOL
Cliente Associação Franciscana de Ensino Senhor Bom Jesus
Local Curitiba, Paraná
Área do terreno 2.114,00 m²
Área construída 19.768,06 m²
Projeto 2013
Conclusão da obra 2016Arquitetura Sakaguti Arquitetos Associados – Adolfo Sakaguti, Tatiana Sakaguti Watanabe (autores), Mauro José Netto e Camila Shinike (arquitetos colaboradores)
Construção Grafit Construtora Gerenciadora ❘ WP Engenharia
Fachadas Hedron Engenharia (consultoria, fabricação e montagem), estrutura metálica: engenheiro Norimasa Ishikawa (projetista); Andrade Rezende Engenharia de Projetos (cálculo estrutural e ancoragens)
Estrutura de concreto AS Estruturas
Acústica DQZ Acústica (consultoria)
FornecedoresVidros Cebrace (chapas); Brazilglass (beneficiamento)
Perfis de alumínio composto Belmetal (cor cobre); Projetoal (cor branca) Silicone estrutural
DowCorning Fita VHB 3M
Revestimento de alumínio Hunter Douglas
Painéis Acústicos Ambi Brasil

FONTE: Arco Web – Revista Finestra

Link da Matéria: Revista ARCOweb 

Write a Reply or Comment